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Grandes jogos

Milan x Liverpool: reviravolta em Istambul

2012/12/13 16:08
Texto por João Pedro Silveira
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A 25 de maio de 2005 o Liverpool tinha o encontro marcado com a história. Vinte anos depois voltava a uma grande final europeia. Chegou com 45 minutos de atraso e já perdia por 3x0. Mas liderados pelo seu grande capitão, iniciaram uma recuperação que ganhou um lugar nos anais da história.

Um aguardado regresso

A final de 2005, era a sexta ocasião em que o Liverpool chegava ao grande jogo, 20 anos depois da sua última presença, uma final de má memória, com a Juventus, em Bruxelas. O Liverpool não só perdeu esse jogo por 1x0, como pelo lamentável comportamento dos seus adeptos, que redundaram na tragédia do Heysel (1), se viu afastado das competições europeias durante um longo período. Quatro vezes campeão europeu, o Liverpool vivia à sombra das míticas equipas dos anos 70 e 80, e dos seus heróis como Dalglish, Souness, Kennedy ou Rush. 

O adversário, era nem mais nem menos que o grande Milan, hexacampeão europeu (2), que chegava à sua décima final. Além da história, contava com uma equipa repleta de grandes jogadores como o brasileiro Kaká ou o ucraniano Schevchenko, ou de líderes experientes, como Maldini, quatro vezes campeão da Europa com a camisola rossonera, ou Clarence Seedorf, que além de ter sido campeão europeu no Milan, também já erguera o troféu com as míticas camisolas de Ajax e Real de Madrid.
 
Manhã de promessas em Istambul

Jamie Carragher e o capitão Steven Gerrard, os únicos ingleses da equipa, ambos nascidos e criados no Merseyside, que já iam a Anfield antes de jogarem no clube do seu coração, tinham por missão, doutrinar os colegas, lembrando-os da história gloriosa do clube da cidade do Mersey.

Essa manhã, Istambul acordou com o habitual som dos muezzin a fazerem a chamada para a primeira oração da manhã; no hotel do estágio, Steven Gerrard não conseguia dormir, antecipando o jogo da noite, inspirando-se nos heróis do passado que brilharam e conquistaram títulos para o gigante de Anfield...

Nos dias anteriores, os adeptos de Liverpool tinham invadido a cidade do Bósforo, confiantes, cantando cânticos lembrando os feitos do passado. A esperança era obviamente vermelha, se bem que embrulhada em grandes doses de nostalgia...

Primeira parte de pesadelo

O relógio marcava 21h45 minutos, hora de Istambul, quando o espanhol Mejuto González apitou para o pontapé de saída do australiano Harry Kewell...

Os cânticos nas bancadas abafam o apito do árbitro, quando este apitou para a primeira falta do jogo. Andrea Pirlo ajeitou a bola, e da direita, mandou-a para o centro da área, onde apareceu Paolo Maldini a fuzilar Dudek. 1x0, com apenas 51 segundos jogados. Maldini fazia história e apontava o golo mais rápido de sempre numa final da Champions (3)

Tamanho balde de água fria logo a começar. Os adeptos não queriam acreditar no que os seus olhos viam. O Liverpool entrava literalmente a perder. Mas não demorou a reagir... Minutos depois, primeiro por intermédio de John Arne Riise e depois após um cabeceamento de Sami Hyypiä, os reds estiveram perto do empate.

Aos 23´, Benítez viu-se obrigado a trocar Kewell por Smicer e o Milan que já ameaçava pegar no jogo, foi acercando-se com cada vez mais perigo da baliza de Dudek. Aos 39, sem surpresa, Kaká avança no terreno, deixa na direita em Shevchenko, que centra para o argentino Crespo fazer o 2x0.

Aos 44´, a magia da equipa de Ancelotti em todo o seu esplendor. Pirlo rouba a bola, coloca em Kaká, que roda sobre si mesmo e faz um passe de 40 metros, perfeito, para Crespo picar a bola com veneno, sem hipóteses para Dudek. 3x0 em cima do intervalo. O pior dos pesadelos para o Liverpool. Nas bancadas, os adeptos ingleses incrédulos pareciam perguntavam aos deuses - Porque passar tanto tempo para voltar ao grande palco e depois se sofrer tamanha deceção? 

Segunda parte de sonho

O segundo tempo começou com o Liverpool decidido a tentar corrigir a história da primeira parte. Benítez tirava Finnan e lançava o alemão Hamann. Mejuto González apitou para o início da final 50ª edição da competição mais importante de clubes no mundo e poucos podiam crer no que iria acontecer a seguir...

Os liverpuldianos cerravam os dentes e lançavam-se ao adversário. Nove minutos passados desde o recomeço, Riise tenta centrar da esquerda, Cafu impede que saía o centro, o norueguês insiste e volta a centrar, a bola passa o lateral brasileiro e vai encontrar a cabeça do capitão dos reds, que a desvia com classe e precisão, para o fundo da baliza de Dida. Luis Garcia vai logo buscar a bola, Gerrard corre para o meio campo, todos regressam num instante para a sua metade do terreno. 

Dois minutos depois, novo ataque, Hamann deixa a bola para o checo Smicer, e de longe, fuzila Dida. 3x2 num par de minutos. Tudo era possível! 

O Milan acusa o toque, fica nervoso, o Liverpool acredita e aproveita para subir no terreno. Gattuso derruba Gerrard dentro de área e o árbitro marca penálti. Xabi Alonso em frente de Dida, o espanhol remata, mas o brasileiro para o remate, mas na recarda, Alonso faz o 3x3! A bancada dos adeptos do Liverpool vem abaixo. Em 15 minutos, os reds anulavam uma desvantagem de três golos! 

Prolongamento, grandes penalides e São Dudek

O Milan volta a acordar e carrega novamente. Mas Seedorf, depois Shevchenko e por último Crespo, falham o 4x3, e o jogo vai para o tempo extra. Nos trinta minutos Pirlo perde uma oportunidade, depois Tomasson também, e o Liverpool parece conseguir aguentar o barco.

Perto do fim, Sheva está muito perto de fazer o golo, mas Dudek consegue fazer a defesa, e na recarga Dudek miraculosamente nega o 4x3 ao avançado ucraniano. Trinta minutos passados, González dá por terminada a partida, pela 13ª vez, a final da Champions chega ao desempate através da marca de onze metros.



Primeira parte, segunda parte, prolongamento e grandes penalidades... emoção sem fim! Não se podia pedir mais para comemorar cinquenta anos de finais europeias.

O guarda-redes polaco torna-se o grande herói, imitando as façanhas de Grobbelaar na final de Roma (4), parando primeiro o remate de Pirlo e no fim o de Shevchenko. Vinte e um anos depois da final de Roma, o grande Liverpool reencontrava-se com a história.

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(1) - Estádio do Heysel, em Bruxelas, mais tarde, uns anos depois da tragédia, após a remodelação e para apagar a carga negativa do nome, passou a chamar-se Estádio Rei Balduíno.
(2) - Na altura da final o AC Milan já conquistara a Taça dos Clubes Campeões Europeus e ou a Liga dos Campeões em seis ocasiões: 1963, 1969, 1989, 1990, 1994 e 2003); e perdera as finais de 1958, 1993 e 1995.
(3) - De todas as edições tanto da Taça dos Clubes Campeões Europeus, como da sua sucessora, a Liga dos Campeões.
(4) - Bruce Grobbelaar, o guarda-redes sul-africano, internacional pelo Zimbabué, que brilhou com a camisola do Liverpool, ganhou a imortalidade, pela forma como provocou os adversários romanos no desempate por grandes penalidades, na final da Taça dos Campeões em 1984.

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Motivo:
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U Quarta, 25 Maio 2005 - 19:45
Atatürk Olympic
Mejuto González
3-3
Steven Gerrard 54'
Vladimír Šmicer 56'
Xabi Alonso 60'
Paolo Maldini 1'
Hernán Crespo 39' 44'
Estádio
Atatürk Olympic
Lotação76092
Medidas105m x 70m
Inauguração2002