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Grandes jogos

Itália x Brasil: o milagre de «San Paolo Rossi»

2012/07/13 12:09
Texto por João Pedro Silveira
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Dos vencidos não reza a história, há muito se convencionou dizer. Mas a verdade é que a história do Campeonato do Mundo, lembra, e recorda com especial carinho, três equipas que perderam o título, mas que perduram na memória, não pelo troféu, mas pela beleza do seu futebol, que ofuscou inclusivamente os vencedores. A Hungria de Ouro de 1954 com Puskás, Czibor, Kocsis; a Laranja Mecânica de Cruijff em 1974 e o maravilhoso Brasil de Zico, Sócrates e companhia que encantou o mundo com as suas exibições no mundial de Espanha em 1982.

A 5 de julho de 1982, no Estádio Sarrià em Barcelona, a Itália e o Brasil protagonizaram um dos encontros mais marcantes de sempre. Transalpinos e canarinhos encontravam-se num jogo decisivo de acesso às meias-finais, e se o favoritismo pendia todo para os sul-americanos. 
 
Sócrates e Zico celebram o primeiro golo brasileiro na partida.
Um ano antes do mundial o «escrete» fizera uma tournée pela Europa que espantou os espetadores e a crítica especializada. Primeiro apresentou-se no mítico palco de Wembley, em Londres, vencendo por 0x1, naquela que foi a primeira derrota inglesa contra uma equipa sul-americana em território inglês.
 
Depois do feito em terras de «Sua Majestade», os magos brasileiros atravessam o Canal da Mancha e levaram de vencida a França com um claro 1x3 na «Cidade Luz». Seguiu-se então a Alemanha Federal e nova vitória por 1x2. Três das melhores seleções do continente eram batidas no seu reduto, por um grupo de jogadores tecnicamente sobredotados, que encantavam tudo e todos com o seu futebol arte. Nascia a lenda da melhor equipa de sempre...
 
O Brasil de 1982
 
Depois de um estágio em terras portuguesas, os brasileiros chegaram a Espanha preparados para conquistar o mundo. Estrearam-se com a União Soviética e venceram - e convenceram - por 2x1, continuaram a saga, batendo a Escócia com 4x1 e mais uma exibição de sonho, pincelada com golos que eram verdadeiras obras de arte.
 
A terminar a primeira fase, um 4x0 aos neozelandeses - com direito a uma bicicleta de Zico - no jogo de despedida da cidade de Sevilha. O «escrete» fez as malas e seguiu para Barcelona, onde o esperavam a Argentina e a Itália, para um grupo disputado a três na segunda fase.
 
Despachada a Argentina com 3x1, e graças à vitória pela margem mínima que os italianos tinham conseguido no primeiro jogo contra os alvicelestes, ao Brasil bastava o empate nessa tarde mágica de Barcelona para carimbar o passaporte para as meias-finais.
 
A Itália que tinha chegado à segunda fase sem nenhuma vitória, fruto de três empates com Polónia, Camarões e Peru, e que vencera apenas o jogo com os argentinos dias antes, via-se agora na obrigação de bater os brasileiros para jogar com a Polónia o acesso à final de Madrid, já aos brasileiros, bastava o empate, mas tudo no seu futebol, e os resultados anteriores faziam esperar por mais uma vitória «canarinha».
 
Grande dia
 
O jogo começou com a festa e muito samba nas bancadas, com a enorme falange de apoio brasileira, a festejar com muita alegria, pintando de amarelo as bancadas do velhinho estádio do Espanyol de Barcelona. Batuques, tambores, pandeiretas, dança e cânticos e muita festa desde o apito inicial, contagiaram todos na bancada, menos os italianos.
 
Mas aos oito minutos, sem nenhum aviso prévio, a Itália inaugurava o  marcador por intermédio de Paolo Rossi e baralhava as contas do «escrete». O Brasil reagiu de pronto e Sócrates empatou a passagem dos doze minutos, após uma belíssima jogada de combinação com Zico.
 
Paolo Rossi aproveita um erro da defesa brasileira e faz o segundo golo italiano.
Confiantes os canarinhos pressionaram os italianos, mas após uma desatenção da defesa brasileira, o inevitável Paolo Rossi intercetou um passe e bisou aos 25’. Telé Santana, o treinador brasileiro, obreiro do futebol arte da canarinha, levava as mãos a cabeça. O Brasil tinha que voltar a correr atrás do prejuízo.
 
O intervalo chegou com os italianos na frente. A segunda parte começava como a primeira tinha terminado: com o Brasil a jogar um futebol pressionante e ofensivo, trocando a bola ao primeiro toque, com pormenores de fino recorte, encostando a Itália lá atrás.
 
Aos 68 minutos, Falcão, após uma jogada brilhante do coletivo brasileiro empatava novamente a partida, provocando a natural explosão da torcida nas bancadas do Sarriá. O Brasil voltava a ter um pé na meia-final.
 
Mas seis minutos depois, com uma frieza incrível, após a marcação de um pontapé de canto, Paolo Rossi fazia um hattrick e abria a porta das «meias» para a Squadra Azzurra. Faltavam 16 minutos e o Brasil voltou a empurrar a Itália para trás, mas a Itália não cedeu mais e os canarinhos foram perdendo a cabeça e a lucidez e, quando o árbitro israelita Abraham Klein apitou para o final, os sul-americanos caíam prostrados no relvado e a Itália acordava em festejos acreditando ser possível voltar a ser campeã 42 anos depois.
 
Rossi tornava-se o novo herói italiano e continuaria a deixar a sua marca com mais dois golos na meia-final e o primeiro golo na grande final de Madrid, que valeu aos transalpinos a conquista do seu terceiro mundial, 42 anos depois da conquista dos rapazes de Pozzo.
 
 
recorde aqui o resumo de um dos melhores jogos de sempre


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Comentários (2)
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St
E o mais incrivel. . .
2014-07-05 12h37m por Stromp1906
E o mais incrível é que bastava o Brasil empatar para passar às meias-finais.

Em 1994 acabaram por se vingar. . . !
Pi
Brasil (82)
2014-06-07 17h43m por Pirisca
Era claramente a melhor equipa do mundo nesta altura, simplesmente teve um jogo em que defensivamente só fez disparates e acabou por perder.

Lembro-me bem q esta equipa era tão forte q n havia nenhum ser vivo q em 82 n achasse q o brasil n ía ser campeão do mundo. . .

jogos históricos
U Segunda, 05 Julho 1982 - 16:15
Estadi de Sarrià
Avraham Klein
3-2
Paolo Rossi 5' 25' 74'
Sócrates 12'
Falcão 68'
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Estádio
Estadi de Sarrià
Lotação41000
Medidas-
Inauguração1923