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Académica

2011/08/09 17:18
Texto por João Pedro Silveira
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Os primeiros pontapés no Largo de D. Dinis

As raízes da Académica remontam ao Clube Académico de Coimbra, fundado em 1861. Foram membros desse clube, atletas e estudantes da Universidade que fundaram a Associação Académica de Coimbra a 3 de Novembro de 1887.
 
Após um período de desavenças entre os estudantes e a Universidade, com confrontos com a polícia académica que resultaram em prisões e expulsões, e um conjunto de greve decretadas às aulas pelos estudantes a associação é suspensa e a própria Universidade é encerrada temporariamente.
 
Entretanto o futebol começara a ganhar espaço na «Lusa Atenas». Em Março de 1894 disputara-se um confronto entre o Ginásio coimbrão e o Ginásio aveirense, clube fundado por Mário Duarte, fundador da A.F. Aveiro pai de um futuro academista (Francisco Duarte) e avô do poeta Manuel Alegre. 
 
Artur Jorge, um dos grandes simbolos da centenária história da Académica.
A paixão pelo jogo alastrou pela cidade. A Universidade como pólo aglutinador de gentes de todo o país e do estrangeiro foi fundamental pela disseminação do jogo não só na própria cidade, como também em outras regiões do país.
O Largo de D. Dinis – actual Praça da República – foi a primeira "casa" do futebol coimbrão, onde grupos de jovens se reuniam para jogar ocasionalmente. Mais tarde os matches mudaram-se para a Ínsua do Bentos, para mais tarde regressarem à “alta” da cidade e o velho Largo de D. Dinis.
 
Em Janeiro de 1901 a Associação já dispõem de uma secção desportiva e que já praticava futebol, como tão bem atesta um requerimento da associação para a Câmara Municipal pedindo que fosse arranjado o Largo de D. Dinis com vista a utilização do espaço para organizar jogos de futebol.
 
A Associação Académica
 
Após o advento da República (5 Outubro 1910) a Universidade de Coimbra perdeu o seu estatuto especial quando o novo governo abriu novas universidades em Lisboa e Porto quebrando o monopólio coimbrão, contudo a Universidade continuou a ser a maior e a mais respeitada do país, atraindo jovens de todo o país.
 
Foram alguns desses rapazes que se reuniram na Ínsua dos Bentos para o primeiro treino para os “players do team da Académica” em Janeiro de 1911, mais tarde veio o primeiro jogo que valeu uma vitória sobre o Ginásio por 1x0.
 
Os estudantes conquistaram a Taça Monteiro da Costa ao FC Porto em 1912/13 ganhando prestígio fora da cidade e da região. Durante toda a década o clube foi-se transformando no maior clube da região que em 1922 viu a A.F. Coimbra ser fundada com a Académica como membro fundador.
 
Em 1922/23 os estudantes chegaram à final do Campeonato de Portugal onde foram vencidos pelo Sporting por 0x3, num jogo disputado em Faro.
 
Estreia na Liga e conquista da Taça
 
Quando a primeira edição da I Liga teve lugar a Académica foi uma das oito equipas que participaram, terminando no 8º e último lugar.
O maior feito da história do clube foi atingido em 1938/39, quando a Académica conquistou a 1ª edição da Taça de Portugal, vencendo o Benfica por 4x3 na final. 
 
Nas Salésias a Académica bateu o Benfica por 4x3 e venceu a primeira edição da Taça de Portugal em 1939.
No campeonato nacional a Académica consegue o 5º lugar pela primeira vez na segunda edição, mantendo-se entre os grandes até 1948, ano em que desce pela primeira vez de divisão. No ano seguinte conquista o título de Campeã da II Divisão e volta à I Divisão onde se mantêm durante mais 23 anos.
 
Em 1951 os academistas chegam à final para defrontar novamente o Benfica, mas desta vez a sorte sorri aos encarnados que vencem por um claro 1x5.  Na segunda metade dos anos 60 o clube entra na melhor fase da sua história. Começa por conquistar um 4º lugar em 1965, a melhor classificação até então da história academista. Dois anos depois chega a época dourada dos estudantes. 
 
Numa equipa dirigida por Mário Wilson pontificavam Artur Jorge (2º melhor marcador do campeonato), Toni, Rui Rodrigues, Manuel António e o macaense Rocha (capitão de equipa) entre outros. Os estudantes deram réplica ao grande Benfica de Eusébio e acabaram o campeonato em 2º lugar a três pontos dos da Luz, e na Taça chegaram à final onde perderam 2-3 com o Vitória de Setúbal após duas horas e 24 minutos de jogo, o que tornam a final de 1967 a mais longa partida disputada até hoje em Portugal.
 
Em 1967/68 a Académica volta a ficar num 4º lugar e na estreia nas competições europeias em 1968 é eliminada na 1ª eliminatória da Taça das Feiras pelo Lyon após desempate por moeda ao ar.
 
A final de 1969 ou o "comício do Jamor"
 
No fim da época de 1969 a Académica chegou à final da Taça de Portugal mais uma vez. Mas a quarta final da Briosa não foi uma final como as outras, vivia-se a crise Académica de Coimbra e o regime que entrava na primavera marcelista não sabia lidar com a contestação estudantil.
No dia da grande final os estudantes tinham o apoio efectivo de estudantes de todo o país, de oposicionistas e simpatizantes com a oposição. Em abono da verdade, muitos benfiquistas preferiam que fosse a Académica a vencer nessa tarde.
 
A final de 1969, contra o Benfica, ficou para a história como o maior comício público contra o regime de Salazar.
A equipa, solidária com a luta da Academia entrou em campo com a capa caída pelos ombros em sinal de luto académico. Nas bancadas há cartazes onde se pode ler: “Universidade Livre”, “Estudantes Unidos por Coimbra” ou “Melhor ensino, menos polícias.” Carlos Pinhão, jornalista de A Bola classificaria mais tarde este dia como “um dos maiores comícios de sempre contra o regime”.
 
Artur Jorge, a grande vedeta da equipa fora chamado para o serviço militar e impedido de treinar e disputar a final, mas contudo um golo de Manuel António a dez minutos do fim fez os estudantes sonharem com a glória. Otto Glória, treinador dos encarnados confessou mais tarde que pensou que “estava tudo perdido”, mas não estava, cinco minutos depois o Benfica empatou levando o jogo para prolongamento onde apontou um segundo tento e levou a Taça para Lisboa.
 
Como o Benfica além de vencer a Taça, foi campeão nacional, em 1970 a Briosa estreia-se na Taça das Taças onde chega aos quartos-de-final depois de eliminar os finlandeses do Pallos e os alemães de leste do Magdeburgo antes de cair às mãos do Manchester City.
 
O Académico e o Organismo Autónomo
 
Na época 1974/75 em consequência da Revolução de Abril, após a extinção do futebol na AAC surge o Clube Académico de Coimbra que a FPF reconhece como legítimo sucessor da Académica e que toma o seu lugar na I Divisão. 
 
Em 1984 o clube volta a denominar-se Académica quando é criado a AAC – Organismo Autónomo de Futebol, que volta a recuperar também o antigo emblema dos estudantes.
 
O clube que só tinha passado duas épocas na II Divisão até ao 25 de Abril de 1974 entra num período de subidas e descidas que culmina na despromoção em 1989 e que durou até 1997. Este foi o verdadeiro período negro da Académica que terminou em 1996/97 com um terceiro lugar que foi festejado nas margens do Mondego como se de um Campeonato do Mundo se tratasse.
 
Clube de Primeira e a 2ª Taça
 
Após 3 anos entre os grandes o clube voltou a cair na II Liga de onde emergiu em 2002 para iniciar mais um longo período entre os grandes, num novo processo de crescimento da Académica que viu o Estádio de Coimbra ser renovado para receber o Euro 2004.
 
Marinho bate Rui Patrício e permite à Académica a conquista da sua segunda Taça de Portugal, pondo fim a um jejum de 73 anos.
Em 2011/12, os estudantes conseguiram escrever mais uma página dourada do seu historial, conquistando a Taça de Portugal pela segunda vez. Foi longo e meritório o caminho da Académica até ao Jamor, eliminando o FC Porto com um histórico 3x0 na cidade do Mondego, antes de disputar a final com o Sporting, que foi vencido com um golo madrugador de Marinho.
 
Numa história antiga e gloriosa a Académica foi a alma da Academia coimbrã, o que justifica a enorme simpatia que desperta por todo o país, mas muito disso também se deve a constelação de estrelas que vestiram a mítica camisola preta: António Bentes, Mário Wilson, Toni, Victor Campos, Albano Paulo, Crispim, Artur Jorge; ou os treinadores que lideraram a orquestra academista como Cândido de Oliveira e Fernando Vaz, ou mais recentemente André Villas-Boas, Pedro Emanuel e Domingos Paciência.
Comentários (2)
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Motivo:
fa
Briosa
2013-08-06 15h56m por faltinhas
ler estas linhas é poesia pura

Como diria a grande Mancha Negra "se jogasses no céu morreria para te ver"

Briosa sempre!
D_
BRIOSA
2012-01-01 04h05m por D_06
somos mesmo grandes!!!

Académica até morrer
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Estádio
Estádio EFAPEL Cidade de Coimbra
Lotação29744
Medidas105x70
Inauguração1949