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Sporting x Benfica: Uma revolução em 22 minutos

2015/11/19 17:21
Texto por João Pedro Silveira
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Há uma lei no mundo animal que lembra que se não deve brincar com um animal ferido, especialmente quando ele é feroz. Se a fera escapa com vida, é certo e sabido que voltará para se vingar, e não há nada mais perigoso que um animal ferido.

Então se essa fera é o leão, o Rei da Selva, é melhor fugir porque o contra-ataque será mortal...

Em suma foi isto que aconteceu ao Benfica nesse 16 de abril de 2008. Um golo de Rui Costa aos 19 minutos e outro de Nuno Gomes aos 31 deixaram o Sporting no tapete, bem perto do knockout. Paulo Bento reagiu e tirou Adrien, lançando Izmailov, mas o jogo do Sporting continuava dormente e sem ideias. O intervalo chegou com uma vantagem clara benfiquista em casa do rival. A final do Jamor estava só a 45 minutos de distância...

Mas contudo, o Benfica voltou do intervalo sem o killer instinct, deixou o leão lamber as feridas e voltar a levantar-se. No 61.º minuto João Moutinho fez tremer a barra de Quim com estrondo num remate de longe. O Sporting ameaçava voltar ao jogo, o Benfica dominador da primeira parte dera lugar a uma equipa passiva, expectante, a deixar correr o relógio. No minuto seguinte Derlei entra para o lugar de Romagnoli e o jogo mudou completamente...

Reviravolta de tirar fôlego

Aos 68 minutos o Sporting ataca pela esquerda por intermédio do montenegrino Vukcevic bailando na frente de Leo, cruzando para ao centro da Pequena área onde Yannick Djaló só teve de encostar.

Liedson pegou na bola no fundo das redes e os dez jogadores do Sporting correram de volta para o seu meio-campo. A bola vai ao meio campo e o Sporting lança novo ataque, Grimi centrou da esquerda e o esférico vai parar a Derlei que falha o remate, fazendo com que a bola sobrasse para Izmailov, que obriga Quim a uma defesa difícil.

Por minutos o Benfica pareceu controlar o jogo e deixar o Sporting mais longe da sua baliza, mas aos 75 minutos uma insistência de Izmailov na direita fez com que a bola ressaltasse para João Moutinho que cruzou de pronto para o golo do Levezinho. 2x2 em seis minutos o Sporting empatava o jogo.

Três minutos volvidos a bola chega à cabeça da área onde Liedson encontra Izmailov solto na direita, cruzando de primeira para Derlei que isolado perante Quim confirmou a reviravolta.

Final alucinante

No banco Fernando Chalana tentava reagir ao golo do Ninja, preparando a entrada de Cardozo, mas num ataque rápido a bola sobrou para a entrada da área, com o remate de Nuno Gomes a bater num defesa sportinguista, sobrando para o remate certeiro de Cristian Cebolla Rodríguez. 3x3 aos 82 minutos. A bola volta ao centro do terreno e o Sporting lança-se sobre o adversário, Yannick avança embalado sem oposição, chuta, a bola desvia em Luisão e faz um arco sobre Quim. 84 minutos, Sporting 4, Benfica 3.

Explosão de alegria no banco leonino e nas bancadas de Alvalade, enquanto no banco benfiquista Chalana batia palmas para tentar animar o moral das suas tropas.

Até ao fim o Benfica tentou, mais com coração do que com a cabeça, um último assalto à baliza de Rui Patrício, mas seria novamente o Sporting a chegar ao golo, depois de um remate de primeira de Vuckcevic a responder magistralmente a um centro milimétrico de Miguel Veloso.

Sporting 5, Benfica 3, a Alvalade e o resto do país pela televisão tinham acabado de assistir a um dos melhores dérbis de sempre. O Sporting seguia em frente e venceria a competição, batendo o FC Porto na final por 2x0 após prolongamento. 

 



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Motivo:
jogos históricos
U Quarta, 16 Abril 2008 - 20:30
Estádio José Alvalade
Jorge Sousa
5-3
Yannick Djaló 68' 84'
Liedson 76'
Derlei 79'
Simon Vukčević 90'
Rui Costa 19'
Nuno Gomes 31'
Cristián Rodríguez 82'
Estádio
Estádio José Alvalade
Lotação50044
Medidas105x68
Inauguração2003