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Grandes jogos

Portugal x Coreia do Norte: a sagração de Eusébio

2015/07/23 12:19
Texto por Luís Rocha Rodrigues com João Pedro Silveira
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Primeira fase de sonho

Portugal chegara ao Mundial como um outsider, uma seleção promissora, baseada na grande equipa do Benfica e em jogadores do Sporting, que vira os dois grandes lisboetas a conquistarem troféus internacionais, mas que como seleção estava muito longe de convencer.

Na sua primeira participação, Portugal "passeou" na fase inicial batendo a Hungria com dificuldade e a Bulgária com relativa facilidade. Seguiu-se o bicampeão Brasil, derrotado com um claro 3x1. De um momento para o outro Portugal tinha de ser levado em conta e Eusébio era visto como um caso sério.

Entre as oito melhores equipas do Mundo, os lusitanos iriam enfrentar a Coreia do Norte e não podiam recusar o favoritismo.

Um susto

Depois do sucesso na primeira fase, os quartos-de-final reservaram um confronto épico. Novamente em Liverpool, a surpresa começou por ser enorme. Nem um minuto de jogo e já os coreanos marcavam, aos 25' havia já 0x3.

«Não nos podemos esquecer que a equipa da Coreia tinha estado dois anos a preparar-se para a competição na Alemanha do Leste e já tinham eliminado a Itália. Tinham jogadas estudadas e mecanizadas e o seu capitão, que tinha uma meia elástica, era o organizador da equipa. Era ele que, ao receber a bola, via a equipa movimentar-se de determinada forma e colocava a bola num jogador em específico», recorda o Magriço José Augusto, antes de explicar o que mudou entretanto.

Asneiras e um esquecimento

«Depois do 3x0 o Otto Gloria chamou-me e disse-me para o marcar, para que ele deixasse de ter bola. E foi assim que começámos a mudar o jogo», um desafio que teve um momento épico ao intervalo, onde um furibundo Otto Gloria rebentou a escala. As palavras contadas por quem lá estava.

«Ao intervalo já tínhamos marcado dois golos, estava 3x2, mas o Otto Gloria não nos perdoou. Disse-nos, com estas palavras: 'seus filhos da puta, vocês deram-me a maior alegria de ter ganho aos meus irmãos brasileiros e agora estão a perder com uma equipa da Walt Disney. Vão lá para dentro, metam o colhão na garganta e comam o coreano vivo'»... E foram mesmo, como comprova o 5x3 final, com quatro de Eusébio e um de José Augusto, ele que contou outro detalhe delicioso.

«Depois o Otto Gloria foi à conferência de imprensa, nós arranjámo-nos, vestimo-nos e fomos para o autocarro. Perguntou-se: está tudo? Está. Seguimos viagem e deixámos o Otto Gloria a pé. Ele chegou ao hotel todo "fodido" e começou a berrar: Está tudo maluco? Já ganhámos o campeonato, é?», revelou, entre sorrisos, uma história que outros juram ter acontecido no fim do jogo com o Brasil. Num ou noutro, aconteceu, e a verdade é que o treinador teve que ir à boleia dos jornalistas para onde se encontrava a seleção.

Portugal seguiria até à meia-final, para cair às mãos da equipa da casa. O reencontro com os norte-coreanos teve de esperar décadas, até 2010 na África do Sul. À segunda ocasião, Portugal foi demolidor (7x0) e certamente que para os lados da Coreia do Norte, ainda não se deve mencionar o nome de Portugal

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Motivo:
jogos históricos
U Sábado, 23 Julho 1966 - 15:00
Goodison Park
Menachem Ashkenazi
5-3
Eusébio 27' 43' (g.p.) 56' 59' (g.p.)
José Augusto 80'
Pak Seung-Zin 1'
Lee Dong-Woon 22'
Yang Seung-Kook 25'
Estádio
Goodison Park
Goodison Park
Inglaterra
Liverpool
Lotação40410
Medidas100,5x68
Inauguração1892