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Grandes jogos

França x Portugal: a final que esteve à mão

2015/09/03 10:59
Texto por João Pedro Silveira
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Tal como dezasseis anos antes, Portugal esteve muito perto de jogar a final de um europeu. Em Bruxelas, no Rei Balduíno, em tempos conhecido como Heysel Park, Portugal olhou a França nos olhos e fez acreditar os portugueses que a final era possível. Mas Zinedine Zidane puxou dos galões e teve a frieza para marcar a grande penalidade que sentenciou a partida.

Contra a corrente

Desde o primeiro momento que a França mostrou ao que vinha. O Capitão Didier Deschamps foi o primeiro a testar a atenção de Vítor Baía, com um remate bem de longe. Depois foi Zidane a criar perigo, antes de Nuno Gomes aproveitar um ressalto de um remate de Sérgio Conceição para bater Barthez com um belo remate de fora de área.

Um remate, um golo. Portugal saía na frente aos 19 minutos, contra todas as expectativas...

A França reagiu de pronto, mas Baía segurou um remate de Anelka e mais tarde um livre de Emmanuel Petit. A terminar o primeiro tempo foi a vez de Luís Figo tentar a sua sorte, numa jogada intercetada por Marcel Desailly. Portugal ia para o intervalo com um golo de vantagem

Empate, suspense e o fim

No recomeço Thierry Henry desfeiteou Baía, fazendo o empate. A França, galvanizada pelo logo tomou o controlo do jogo e foi dominando os portugueses. Durante largos minutos Portugal pouco mais fez que defender, contudo, no último fôlego, Abel Xavier cabeceou para o que parecia o golo certo, mas a bola seria travada por uma extraordinária defesa de Barthez. Portugal ficara a centímetros da final e por toda a França respirou-se fundo...

Durante o prolongamento, Portugal parecia tolhido de movimentos, enquanto a França - dominadora - tinha medo de arriscar, temendo um contra-ataque que terminasse com tudo. O medo do golo dourado que traria a "morte súbita" pesou mais na cabeça dos jogadores que a vontade de resolver o jogo antes das grandes penalidades. 

O «nó górdio» só seria desatado por Sylvain Wiltord, que avançando pela direita chutou para a baliza de Baía, para ver Abel Xavier impedir a bola de cruzar a linha com a mão.

No relvado houve mosquitos por cordas, com os portugueses de cabeça perdida, protestando contra tudo e contra todos, enquanto Zidane pegava na bola e pacientemente aguardava autorização do árbitro para marcar a grande penalidade. Quando as coisas finalmente acalmaram, o austríaco Günter Benkö, apitou e Zizou olhou Baía nos olhos antes de fazer o 2x1.

Enquanto os franceses festejavam, Portugal revoltava-se. Em todo o país, mas principalmente naquele relvado, a indignação falava mais alto. Só faltou lembrar as invasões napoleónicas, na argumentação utilizada contra a pérfida Gália.

Mais do que perder o acesso a uma final, Portugal perdia a razão. Nuno Gomes era expulso, Paulo Bento e Abel Xavier seriam castigados. A bela imagem que a seleção nacional deixara nos relvados holandeses ficava manchada pelas tristes imagens de uma noite de verão em Bruxelas...

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Motivo:
jogos históricos
U Quarta, 28 Junho 2000 - 19:45
Stade Roi Baudouin
Günter Benkö
1-2
Nuno Gomes 19'
Thierry Henry 51'
Zinedine Zidane 117' (g.p.)
Estádio
Stade Roi Baudouin
Lotação50122
Medidas106x66
Inauguração1930