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Grandes jogos

FC Porto x Monaco: a glória em Gelsenkirchen

2013/01/24 16:34
Texto por João Pedro Silveira
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O caminho

Se alguém apostou no início da época que a final da Liga dos Campeões seria entre o Monaco e o FC Porto, por certo que ganhou uma fortuna. A caminhada não foi fácil. Os monegascos começaram por eliminar o Lokomotiv de Moscovo nos oitavos, antes de deixarem pelo caminho o todo-poderoso Real de Madrid e o Chelsea na meia-final.

Por sua vez o FC Porto começou por eliminar o Manchester United com uma vitória caseira e um precioso empate forasteiro, graças ao golo marcado por Costinha no último minuto. Seguiram-se os franceses do Lyon, antes de eliminar o Deportivo que no caminho para meia final eliminara a Juventus e recuperara de uma derrota por 4x1 na primeira mão disputada fora, para vencer o Milan no Riazor por um histórico 4x0. 

A grande final

No dia da grande final, na nova e espetacular Arena Auf Schalke em Gelsenkirchen, 52 mil espetadores sentados na bancada presenciaram uma final inédita entre um clube português e um francês. 

O FC Porto conquistara a competição - quando ela ainda era a Taça dos Campeões - em 1987, e vencera a última edição da Taça UEFA, já os monegascos, nunca tinham vencido uma competição europeia e só tinham disputado uma final, da extinta Taça das Taças em 1992, curiosamente em Portugal, no Estádio da Luz, em Lisboa. 

Pelo historial, os dragões eram os grandes favoritos a vencer o jogo, mas os monegascos não queriam a perder a sua segunda oportunidade de chegar ao sucesso, e os primeiros minutos depois do apito inicial de Kim Milton Nielsen foram os vermelho-e-brancos que criaram mais perigo.

O francês Ludovic Giuly, que estivera em dúvida até à hora do jogo, ameaçou a área portista por quatro vezes nos primeiros três minutos. Se a experiência de Jorge Costa travou as avançadas do ex-Barcelona em três ocasiões, a última, um passe de Luca Bernardi isolou o capitão monegasco, que só não chegou ao golo porque Vitor Baía, precavido, saira antecipadamente da baliza para ir cortar a jogada. 

Os adeptos portistas sentiram um arrepio, mas o perigo tinha passado. O francês acabaria por sair do campo aos 22 minutos, e aos poucos, o impeto monegasco foi esmorecendo. O Porto foi pegando no jogo, e mesmo sem criar nenhuma jogada de muito perigo, chegou ao golo aos 39 minutos por intermédio do brasileiro Carlos Alberto.

Ao intervalo o Porto caminhava seguro para segunda vitória na competição. Mas os pessimistas lembravam que em 1987 era o Porto que perdia por 0x1 ao intervalo e que no regresso o jogo levou a volta que todos conheciam...

Segunda parte: a confirmação

Os monegascos acusaram o golo e entraram na segunda parte, receosos, a acusarem a falta de inspiração e a saída de Giuly. Na frente, o espanhol Morientes estava muito sozinho para fazer estragos perante a segurança de Jorge Costa e Ricardo Carvalho. 

Aos 64 Deschamps mandou avançar Nonda para o lugar de Cissé, tentando levar o perigo pelas alas para perto da área portista, mas correndo o risco do contra-ataque azul-e-branco.

E foi num desses rápidos contra-ataques que Deco serviu primorosamente na ala o russo Alenichev que devolveu a bola ao meio, para o «Mágico» fazer o 2x0. Quatro minutos mais tarde Derlei colocava a bola em Alenichev e o russo punha uma pedra no assunto, fazendo o 3x0 final. 

A partir daí o FC Porto só teve de fazer o tempo correr, gerindo o resultado. Mourinho fez avançar Pedro Emanuel e McCarthy para retirar Derlei e Deco. Quando o dinamarquês apitou pela última vez, os portistas começaram a festa, enquanto José Mourinho se retirava de cena, não participando nos festejos, para ir cumprimentar a família. Dias depois saía do Porto, seduzido pelas libras do magnata russo Abramovich e uma nova experiência no Chelsea. Para trás ficava o impressionante legado de dois anos e meio à frente da «nau» portista. 



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Comentários (5)
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sl
champions 2004
2017-03-13 15h15m por slb_pride
Graças àquele roubo incrível ao Manchester nos oitavos-de-final (golo limpinho transformado em fora de jogo) tornou-se fácil a estes tipos atingir a final, à custa dos Lyons e dos Corunhas. E como se não bastasse, um Monaco na final. Estes tipos sempre tiveram uma sorte tremenda nas finais, ao contrário do Benfica que só apanhava Milans, Inters, Manchesters, e mais recentemente Chelseas
va
FC Porto - Campeão da Europa 2004
2016-07-24 21h34m por valter_reis_99
É um grande orgulho rever este momento :D
Momento histórico no futebol português !
Eternizado por Deco , Carlos Alberto e Dimitri Alenichev.
an
:)
2016-05-26 21h43m por antoniocarvalho
Faz hoje 12 anos! Um grande momento para Portugal, mas seria hipócrita se não dissesse que foi ainda maior para os portistas. Recordar é viver.
ZZ
Nota
2014-05-26 17h35m por ZEROZERO
Muito obrigado, a gralha foi corrigida.
SL
bom texto no geral mas. . .
2014-05-26 17h35m por SLBng
"O Porto foi pegando no jogo, e mesmo sem criar nenhuma jogada de muito perigo, chegou ao golo aos 39 anos por intermédio do brasileiro Carlos Alberto. "
Não foi aos 39 ANOS xD, mas sim aos 39 minutos.
ZZ
Nota
2013-01-26 01h29m por ZEROZERO
Correto. Retificado.
Ju
Erro
2013-01-26 01h29m por Junior99
O Porto não eliminou o Manchester pela regra dos golos fora mas por ter marcado mais golos no conjunto das duas mãos: vitória em casa por 2-1 e empate fora a uma bola dá um total na eliminatória de 3-2 com vantagem para o FCPorto.
(só por acaso até marcaram o mesmo número de golos fora de casa lol)
jogos históricos
U Quarta, 26 Maio 2004 - 19:45
Arena Auf Schalke (Veltins Arena)
Kim Milton Nielsen
0-3
Carlos Alberto 39'
Deco 71'
Dmitri Alenichev 75'
Estádio
Arena Auf Schalke (Veltins Arena)
Lotação61673
Medidas105x68
Inauguração2001