história
Grandes jogos

Suécia x Brasil: finalmente a glória!

2014/05/05 17:29
Texto por João Pedro Silveira
l0
E0
When Juscelino KubitschekWhen Juscelino Kubitschek became president of Brazil in 1956, it signalled the beginning of a new era. It was a time of growth and optimism, exemplified by the ambitious Plano de Metas, a plan to endow the nation with new infrastructures, including the building of a whole new capital city, Brasilia. The slogan in vogue at the time was that Brazil would advance “fifty years in five”.
A 29 de Junho de 1958 o futebol brasileiro tinha lugar marcado com a história. Nessa tarde, no Rasunda em Estocolmo, a magia de Pelé e companhia levou de vencida os anfitriões e o Brasil conquistou o seu primeiro título de campeão mundial. 
 
Um ano especial
 
1958 é um ano mágico na história do Brasil, recordado com carinho pelos brasileiro e as razões para tão gratas memórias são vastas. Basta lembrar que além de ter sido o ano em que finalmente o Brasil se sagrou campeão mundial de futebol, foi também o ano em que Oscar Niemeyer começou a desenhar Brasília, ao mesmo tempo que era editada «Gabriela, Cravo e Canela» de Jorge Amado, ou que João Gilberto gravava o 78 rotações, como então se dizia, «Chega de Saudade», o pontapé de saída da Bossa Nova. Não é à toa que Joaquim Ferreira dos Santos escreveu que 1958 era «o ano que não devia terminar».
 
O Brasil respirava mudança. Nunca antes, «Ordem e Progresso» faziam tanto sentido como lema do grande gigante sul-americano. Quando Juscelino Kibtschek se tornou presidente do Brasil em 1956, o país entrara numa nova era de otimismo e esperança, em que o sucesso e a afirmação do país passavam pelo desenvolvimento e a aposta em novas infraestruturas. O projeto de construir uma nova capital, Brasília, entusiasmava os brasileiros com o slogan de que era preciso fazer avançar o Brasil «cinquenta anos em cinco».
 
O sonho brasileiro
 
Até que ponto os planos governamentais alteraram a face do Brasil a longo prazo, é uma discussão que não terá lugar aqui. Mas se nos cingirmos ao futebol, não há duvida que 1958 é um ponto sem retorno na história do futebol brasileiro e mundial. Até ao mundial da Suécia, o Brasil não era mais que uma seleção que jogava bonito, com jogadores promissores e que por norma falhava sempre quando era posta à prova. 
 
Kurt Hamrin foge a Nilton Santos e Djalma Santos, enquanto Gilmar voa na sua direção.
Inexistente em 1930, uma piada em 1934, em 38 estivera perto do sonho, mas a sobranceria custara-lhe a final. Em 1950, tinha tudo para ganhar e acabou em lágrimas, em 1954 a Hungria de Puskas provara que era de outra galáxia.

Quando partiram para a Suécia, os jogadores brasileiros sabiam que mais do que a indiferença do resto do Mundo, carregavam a desconfiança de uma nação inteira. 
 
Jogo a jogo, a «seleção» teve que ultrapassar a desconfiança da torcida, vencendo a Áustria (3x0), empatando com os ingleses a zero e batendo a URSS (1x0), antes de eliminar o País de Gales com um golo de Pelé.
 
Nas meias, a final antecipada contra a França de Just Fontaine acabou com uma vitória por 5x2, e um hattrick de Pelé, que juntamente com Garrincha, se afirmava como uma referência na equipa.
 
O fim do complexo do vira lata
 
Antes do torneio começar, Nélson Rodrigues escrevera na «Manchete Esportiva» que o Brasil sofria do «complexo do vira lata». Na sua opinião, o Brasil achava-se inferior ao resto do Mundo:
 
Pelé marca o seu primeiro golo a Svensson.
«Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.»
 
Confiante no ADN futebolístico brasileiro, Nélson Rodrigues decretava: «A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção».
 
Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.
 
O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.
A grande final
 
A 29 de Junho as duas equipas alinharam-se lado a lado no relvado do Estádio Rasunda. O francês Maurice Guigue apitou e a bola começou rolar perante 51,800 adeptos, na esmagadora maioria suecos, embalados pelo sonho de ver a sua equipa sagrar-se campeã do Mundo.
 
Os amarelos - o Brasil equipou de azul - chegou ao golo logo aos 4 minutos, por intermédio do capitão e referência, Nils Liedholm, mas a festa durou pouco tempo e cinco minutos depois, Vavá repunha a igualdade.
 
Aos 32 minutos, Vavá voltou a marcar e colocou o Brasil na frente, resultado que perdurou até ao intervalo, deixando esperanças aos adeptos da casa, que a exibição brasileira no segundo tempo deitou por terra.
 
Em 2012, os campeões brasileiros de 1958 (em destaque Pelé e Zagallo) foram despedir-se do Estádio Rasunda, que seria demolido para dar lugar à Friends Arena.
Pelé primeiro, Zagallo depois, deixaram o «Escrete» confortável na frente com 4x1 no placard. O público sueco, hostil até então, começou a aplaudir a mestria brasileira. Simonsson ainda reduziu quando faltavam dez minutos para o fim, mas Pelé ainda voltou a marcar, selando a vitória com um golo de cabeça. 
 
O Brasil finalmente conquistava o Mundo e demonstrava aquilo que tantos há muito suspeitavam: o brasileiro nasceu para jogar futebol. 
 
Rodrigues tinha razão e o dia 29 de Junho de 1958, tornou proféticas as suas palavras, o Brasil endoideceu e saiu para a rua para festejar a tão esperada vitória. O Brasil não era mais um vira-lata:

«E hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: — é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: — se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício».
 
“It was a fantastic game, especially the opening minutes,” enthused left winger Mario Zagallo. “I’m not ashamed to say that for those minutes I was nothing more than a spectator on the pitch. The ball didn’t leave the right flank where Garrincha, Pele and Didi were. It was beautiful. And the Soviets had no answer,” he told FIFA.com. became president of Brazil in 1956, it signalled the beginning of a new era. It was a time of growth and optimism, exemplified by the ambitious Plano de Metas, a plan to endow the nation with new infrastructures, including the building of a whole new capital city, Brasilia. The slogan in vogue at the time was that Brazil would advance “fifty years in five”.
 
To what extent the government made good on its development promises is up for discussion, but at least in one area – football – the end of the 1950s witnessed growth that was worth more than half a century. And the symbol of this growth was compressed not into five years, but into five short minutes.
 
Up to the opening exchanges of the match against the Soviet Union, the third match in the group phase of the 1958 FIFA World Cup Sweden™, A Seleção were little more than a team that played some pretty football and showed potential. There were no great pretentions. Until the first few minutes of that game nobody talked about Brazil in terms of a world power or the guardians of a particularly charismatic brand of football. It is not unrelated that, until that game, the side had never lined up in a competitive match with two of the greatest players in their history, Pele and Garrincha.
 
In the 3-0 victory over Austria and the goalless draw against England the duo had been backups to Mazola and Joel respectively. Selecting both players in a key match where the group leadership was at stake was akin to an official proclamation of what Brazilian football would come to signify. Things would never be the same.
 
“It was a fantastic game, especially the opening minutes,” enthused left winger Mario Zagallo. “I’m not ashamed to say that for those minutes I was nothing more than a spectator on the pitch. The ball didn’t leave the right flank where Garrincha, Pele and Didi were. It was beautiful. And the Soviets had no answer,” he told FIFA.com.
Fotografias(10)
O primeiro Campeonato do Mundo do BrasilO primeiro Campeonato do Mundo do BrasilO primeiro Campeonato do Mundo do BrasilO primeiro Campeonato do Mundo do BrasilO primeiro Campeonato do Mundo do BrasilO primeiro Campeonato do Mundo do Brasil
Capítulos
Comentários (0)
Gostaria de comentar? Basta registar-se!
Motivo:
jogos históricos
U Domingo, 29 Junho 1958 - 15:00
Rasunda
Maurice Guigue
5-2
Vavá 9' 32'
Pelé 33' 90'
Mário Zagallo 68'
Nils Liedholm 3'
Agne Simonsson 80'
Estádio
Rasunda
Rasunda
Suécia
Solna - Estocolmo
Lotação36000
Medidas105m x 68m
Inauguração1937