2017/02/20 12:39
E4
Espaço de análise da actualidade desportiva, onde o comportamento, a emoção e a razão têm lugar privilegiado. Uma visão diferente sobre o jogo, para que o jogo seja diferente.

Podia ser o início de uma anedota ou uma nova versão de um livro de humor, mas é apenas o balanço "fantasma" da jornada, disfarçado de mote para perceber, entre as três, quem ri mais vezes, quem ri mais alto e quem ri por último. 

Quem se ri quando um candidato ao título, a jogar em casa com o último classificado, passa momentos de uma estranha intranquilidade antes de conseguir materializar a posse de bola em golos, um domínio que deveria ser bem mais confortável e sem sobressaltos?

Quem se ri quando um candidato ao título, a jogar em casa com uma equipa de objetivos mais modestos, tem no seu Guarda-redes o seu jogador mais decisivo para a vitória, numa exibição coletiva sem uma ponta de nota artística?

Quem se ri quando um candidato ao título, a jogar no campo de um adversário de respeito e necessitado de vitórias como de "pão para a boca", baloiçando num jogo de peças de meio-campo, qual tabuleiro de xadrez, vê escapar-lhe entre os dedos a liderança da Liga, numa guerra psicológica de teimar-ou-ceder, vencendo no oportunismo e na eficácia do detalhe?

Ninguém ri, mas a verdade é que também ninguém chora. O momento não é para isso.

Desportivamente, vivemos na era do Resultadismo, uma espécie de Pós-Romantismo, consolidado dos Clubes-Empresa aos Adeptos-Clientes.

É o Futebol como reflexo da Sociedade e a Sociedade que aprende com o Futebol. Na Educação, de que vale estudar, ler e aprender, se a nota no exame ficou aquém da média daquela Faculdade? Nos negócios, de que vale uma boa campanha de marketing, um anúncio que todos comentam e um produto inovador, se as vendas realizadas não satisfazem os objetivos impostos pelos acionistas? No Futebol, de que vale a posse de bola, o domínio do adversário, o brilhantismo e a criatividade dos artistas, se não for materializado no golo que salva o emprego do treinador por mais uma semana?

O Futebol começou por ser entretenimento, um desporto como ponto de encontro entre pessoas, uma forma de conviver com os outros, de desafiar e jogar com uso de uma bola.

Depois, o Futebol foi eternidade. Tornaram-se deuses os que, nascidos mortais, brilhavam tanto que era demasiado pedir que se acreditasse que eram comuns.

Hoje, o Futebol é rendimento. É uma questão de prioridades onde os Treinadores são encurralados num labirinto sinuoso, cheio de armadilhas, fatores incontroláveis e saídas de emergência, forçadas ou voluntárias, em nome do que são os seus princípios, as suas ideias e os seus… resultados. A justiça no futebol é a dos golos e nas 17 Leis de Jogo nenhuma diz que o futebol deve ser justo. Hoje em dia, ser resultadista não é opção: é sobrevivência.

Tudo isto é atual, real e universal.

Habituemo-nos ou inconformemo-nos, porque como cantava Amália: “Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado.”


Comentários (4)
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artigo
2017-02-20 21h08m por professorxibanga
Não concordo. Pode-se dizer que o Porto é um clube resultadista porque o seu treinador neste momento o é. O Porto tem uma ideia de jogo pragmática, (de certa forma podemos dizer que é o oposto ao tipo de jogo de Lopetegui). O Nuno percebeu isso. O Nuno percebeu que os adeptos estavam fartos de posse de bola enfadonha e golos, 0. Percebeu que os adeptos estavam fartos de acabar os jogos com 80% de posse e o resultado ser 0-0 ou perder 1-0. O Nuno como sabe a realidade do nosso futebol pre...ler comentário completo »
al
Fado
2017-02-20 15h06m por alvaro111
Fado, Fátima, Futebol. . . os três famosos Fs que antigamente «adormeciam» as lusas mentes.

Ainda bem que as coisas mudaram e agora outros fatores para além do entretenimento estão associados a estas importantes e populares atividades portuguesas!

P. S. : Confesso que não percebi onde é que o Sr. Pedro Silva pretendia chegar. . . não gosta de futebol?
Le
Jogar bonito vs. Ser eficaz
2017-02-20 14h44m por Lebowski
Não vejo onde está a grande lógica deste artigo de opinião. Com outras regras, com mais ou menos arte técnica e táctica à mistura, o futebol (e o desporto de alta competição em geral) sempre viveu de resultados. Valesse dois ou três pontos, uma vitória sempre contou mais que um empate e um empate sempre contou mais que uma derrota.

O futebol mudou no seu estilo, no jogo em si, até na forma como se tornou um dos negócios mais relevantes dos tempos modernos. No entanto, se...ler comentário completo »
am
Desculpa
2017-02-20 13h13m por amexia
Peço desculpa, provavelmente não faria melhor, mas este artigo é mesmo ZERO!
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